Novas redes de comunicação , nova sociedade?

Sobretudo nos últimos 30 anos, temos vindo a assistir a inovação, criação e desenvolvimento sem precedentes na nossa sociedade.

Se, durante o século XX a composição da nossa estrutura social se ia alterando a uma velocidade maior que em épocas anteriores. No início do século XX, as novidades e as inovações marcavam as décadas, períodos de 10 anos. No período do pós II guerra mundial, a evolução tecnológica e social, já passou a surgir em períodos mais curtos, de cerca de 2 a 5 anos.

Nesses tempos, havia estabilidade, empregos de longa duração, para a vida. As pessoas iam melhorando tecnicamente a sua performance profissional, iam aperfeiçoando técnicas ou aprofundadando o conhecimento especifico que precisavam para exercer  sua atividade.

Mas nunca precisavam de reformular a sua vida em função da sua atividade profissional ter sido alterada pela consequência do funcionamento da nossa sociedade.

A nossa função profissional pode deixar de fazer sentido, a pessoa é obrigada a atualizar o seu conhecimento, com problemas se não o fizer, o seu trabalho pode deixar de fazer sentido.

No entanto, a partir da década de 80 do século passado, a aceleração da nossa sociedade atingiu outro tipo de velocidade, nesses tempos, já todos os anos existiam inovações, criações e outros desenvolvimentos que acentuaram a evolução da sociedade para registos nunca antes vistos.

A partir da década de 90, com o advento da Internet ao serviço das massas, a velocidade da inovação intensificou-se e a complexidade multiplicou-se pelas áreas comuns de todos. As massas emanciparam-se e agora somos todos emissores globais.

Entrámos em pleno século XXI, já com uma sociedade muito diferente da que tinhamos na década de 80 e do início dos anos 90 do século. As inovações, criações, trocas comerciais e outras interações em rede (empresarial ou social), atingiram níveis que nunca tinham existido.

Hoje em dia, este modelo está perfeitamente consolidado e será muito mais dificil de travar, pois cada vez existem mais cidadãos e empresas com intervenção direta no processo de criação, inovação e desenvolvimento social. A complexidade social tornou-se uma realidade.

Por outro lado, todo este desenvolvimento social, cultural e tecnológico veio sempre acompanhdo de um fator que se foi sobrepondo aos outros e neste momento está isolado na liderança e sem regulação à vista. A economia.

Tudo o que nós fazemos hoje em dia, tem por base o resultado positivo entre o que se investe e gasta na produção em comparação com aquilo que é o resultado do trabalho e da receita, o lucro.

São os mercados financeiros que ditam as leis dos produtos que consumimos, que gerem o valor dos materiais, que sugerem inclusive o investimento em produtos que não existem (fundos especulativos), ou seja, o mercado financeiro, hoje em dia, rege a nossa sociedade.

Todo este avanço tecnológico e social, não foi acompanhado pelo desenvolvimento da politica e da ética, por isso, chegamos a esta fase da nossa era e temos as empresas a necessitar de ser cada vez mais competivivas e adaptáveis à realidade, alterando o seu caminho a cada inovação e criação tecnológica e o único tema que os preocupa é o lucro no final do ano.

Com este tipo de sociedade, as pessoas já não têm emprego para toda a vida, já não têm a mesma casa ou os mesmos contactos durante largos períodos de tempo. Têm que estar sempre a adquirir novos conhecimentos, para não ficarem desatualizados e têm que estar permanentemente a adaptarem-se a novas realidades.

Por um lado, perdeu-se o lado ético e comunitário das relações, a vida hoje implica insegurança e volatilidade. As pessoas não têm as referências nem o conhecimento duradouro, andam um pouco à procura da sua estabilidade.

As empresas tornaram-se multinacionais, ficaram com uma dimensão tal, que o simples funcionário é só mais uma peça na sua engrenagem, que é utilizado a seu bel prazer, para o que mais lhe convier, não lhe interessando os interesses que os movem, ou quais são os seus sentimentos.

Esta procura constante de lucro, permanente criação, inovação ou desenvolvimento social, afastaram as empresas das pessoas, da sua função social e comunitária.

Mas, o tecido empresarial que não inverta esta situação, está a marcar o seu desparecimento, ou seja, hoje em dia, caso as empresas não cumpram o seu papel social, não terão futuro. Porquê?

Porque a sociedade atual está habilitada a dar feedback, cada cidadão, é um comunicador independente e amplitude global, um potencial perigo para as empresas, por muito grandes que sejam. Cada um dos habitantes do planeta terra tem a possibilidade de comentar qualquer assunto, esteja onde estiver e quer tenha conhecimento ou não do mesmo.

Hoje, através da tecnologia, podemos ter uma atitude ativa, mesmo não estando perto ou sabendo do que estamos a falar.

Se a sociedade piorou no sentido social, a parte tecnológica está maravilhosa, visto que, mesmo os cidadãos com poucos recursos ou sem instrução conseguem partipar ativamente em todas as plataformas.

Se o sentido das empresas não for alterado, os funcionários ou outros stakeholders podem muito bem fazer-lhe o enterro em pouco tempo, se não os satisfazerem ou legitimarem a sua posiçã0.

A responsabilidade social das empresas é um dever, sob pena de não sobreviverem. As organizações serão cada vez mais viáveis à medida da sua intervenção junto das bases estruturais da sociedade.

Há um sentido de pertença enorme das pessoas perante as estruturas que as rodeiam. A tendência é de participar cada vez mais, ativa e diretamente no seu meio, nas suas esferas de influência.

As empresas têm que evoluir e deixar de ter o eixo económico como o principal (e para muitas o único) motivo de existirem. Têm que sobreviver utilizando soft power, ocupar uma parte do seu know how e resultados financeiros, a legitimar a sua atividade perante a envolvência. Tratando de parte dos seus problemas, sendo apoio para a sua melhoria ou evolução.

As organizações têm de olhar pela base da sua construção, pelos colaboradores mais simples e dar-lhes oportunidades, conseguindo convênce-los a tratar do futuro da empresa e do seu. Criando parcerias que ajudem a comunidade onde estão sediados.

Têm de regressar  à base da pirâmide e cuidar da estrutura que suporta a sua atividade, evitando as decisões hard power, unilaterais e sobranceiras.

As empresas nesta “nova sociedade” de partilha de informação têm que ser astutas e lidar com muito cuidado com o seu negócio, preferindo sustentar a sua atividade em ações não totalmente económicas, mas, de forma ética, justa e que transmita para os stakeholders, que conhece ou faz o negócio melhor que ninguém.

A prioridade nesta nova sociedade tem que ser a seguinte: ÉTICA > POLÍTICA > ECONOMIA.

Para que esta ordem seja possível, é preciso alguém que a pense, que já foi feito por Philippe de Woot, também já foi divulgado através do seu livro “Rethinking Enterprise”. Agora é preciso que a ideia seja aceite pelo público. A mim, já me tinha dado uma ideia neste sentido, neste contexto, há um acontecimento curioso, antes de ler o texto desta semana.

Na semana passada o tema era “A ideia de Europa” de George Steiner, nesse post, referi que: Este ideal europeu talvez se conseguisse com 3 níveis interligados. Num primeiro nível alguém intelectualmente honesto a pensar o futuro do nosso continente, integrando todas as opiniões dos diversos países. Num segundo nível um conjunto de cidadãos habilitados pelos intelectuais que desenham as linhas com que irão cozer as linhas mestras do futuro europeu. Ajudam a espalhar os ideiais e a consolidar essas alterações nos espaços governamentais. Por fim, sim, no último nível, eram chamados à intervenção os poderes judicial, administrativo e financeiro para assegurar a aplicação das alterações e nada mais.”

Pois bem, eis que Philippe de Woot, com o texto que inspirou este post, revela uma ideia semalhante para a nossa sociedade àquela que apresentei.

blog_post_5_experts.PNG

Para já somos dois a querer uma nova forma de sociedade, adaptada à realidade. Muito diferente no comportamento para a estrutura legal que a dirige, pois tem princípios que já não fazem sentido.

pyramid-of-capitalist-system

O nosso futuro deveria estar entregue a algo cientifico, à investigação e à razão.

Se um ser humano pensa algo de novo, tem que dialogar para o transmitir. Se não passar a sua mensagem, não vai conseguir que os outros saibam o que fez. A comunicação é fundamental mas em forma de diálogo, sempre em modo soft power, ouvindo, percebendo, ajustando decisões em função do caso.

Há que personalizar o discurso. Não se pode simplesmente só informar e comunicar com os outros, tem que ser um diálogo ético, deve existir sempre semelhança entre pares.

Não se pode entregar o nosso futuro só a politicos, lobbys económicos, charlatões e outros que pululam na nossa sociedade com hard power. Só pensam em alguns e não consideram o bem de todos.

Logo agora que a “aldeia global” é agora uma realidade. O impacto pode ser global.

Advertisements

Comentário

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s