Que europa teremos?

Comentário à frase do texto em “A Ideia de Europa” de George Steiner  (tradução portuguesa), com prefácio de José Manuel Durão Barroso e introdução de Rob Riemen, diretor fundador do Nexus Institute: “É entre os filhos frequentemente cansados, divididos e confundidos de Atenas e de Jerusalém que poderíamos regressar à convicção de que a vida não reflectida não é efectivamente digna de ser vivida“.

Atenas e Jesusalém, durante todos estes séculos influenciaram a nossa cultura, ocupando desde sempre o debate científico, a matemática, o pensamento teológico, filosófico e político. Permitiram a transmissão de conceitos adoptados por todos os europeus, como a música, a economia e o humanismo.

No espaço europeu sempre houve lugar para o debate, com pessoas livres e criativas, que pensavam e tiveram infinitas soluções para os seus problemas. Houve durante séculos uma troca de saberes que foram sendo transportados até à modernidade. Deixaram todo um rol de ensinamentos que fazem de nós aquilo que somos hoje, a soma de todas essas ações.

Na Europa, existe uma infinidade de personalidades que toda a gente conhece o nome, mesmo que não se saiba bem quem foram ou o que fizeram de novo, Shakespeare,  Homero, Descartes, são três exemplos de pessoas que viveram em épocas diferentes mas tornaram-se ícones, ainda hoje falamos neles e sabemos quem são.

A geografia da Europa é acessível numa escala “manual”, nada está definitivamente longe de ser alcançado (proximidade) ou ultrapassado (dificuldade). Parece que não há nenhum local secreto ou recondito que ninguém ainda não tenha visto, visitado ou descoberto em solo Europeu.

Apesar de ser um territtório pequeno em comparação com outras áreas de outros continentes, existe uma divisão muito grande, são mais de 50 países, quase cada um com o seu idioma, o que torna o contexto cultural muito mais complexo por um lado, mas mais rico por outro. No entanto, apesar da proximidade entre os diferentes povos, há patriotismo, regionalismo e sectarismo a mais no discurso do cidadão Europeu comum.

A Europa tem imensos séculos de registo de propriedade intelectual e de ensino dos seus costumes, não podemos ser um povo que desconheça ou abandone o seu passado. É muito importante, faz parte da nossa construção. Somos a soma de todos esses acontecimentos.

Mas também não podemos ficar só agarrados ao passado e não planear o futuro.

Apesar de toda a criação conseguida pelo povo europeu, todo o humanismo explorado e exposto, há um lado no nosso continente que tem sido o “nosso calcanhar de aquiles”. Nos argumentos contra o progresso europeu, temos assistido a uma voracidade enorme em ultrapassar os limites da nossa liberdade, permitindo que existam termos que signifiquem terror, genocídio, racismo, tirania,  chacina ou barbarie e outras ações deste tipo concertadas contra certos povos.

Permitindo estas situações, que provocam desiquilibrios para um lado, desigualdades para outro, será que um povo culturalmente evoluído é capaz de conviver saudavelmente?

É possível recuperar a Europa para a paz duradoura? Sim, claro.

No entanto, como a Europa é um grande puzzle de idiomas e culturas, temos que considerar  uma solução conjunta a melhor opção, através da unidade na diversidade.

O puzzle europeu, só terá sucesso se for unido apesar da sua complexidade.

(…) Ser europeu é tentar negociar, moralmente, intelectualmente e existencialmente, os ideais, afirmações, praxis rivais da cidade de Sócrates e da cidade de Isaías.” (também extraído de “A Ideia de Europa” de George Steiner, p. 36)

Mas esta herança cultural, a base da nossa sociedade clássica e patriarcal está a desaparecer. Estão a surgir outras, com novas formas, mais hermafroditas e de cariz sexual mais diversificado, com caracter mais democrático, simétrico, que poderão proporcionar a recuperação do sonho utópico/ideal europeu, darem-se todos bem, sem violência, crime e desinformação.

Esta nova sociedade que está a surgir proporcionada pela evolução dos meios de comunicação entre todos, até à globalização, pode atenuar certos impetos de alguns países para o confronto bélico, exploração económica ou subversão cultural.

Para chegar a um estado europeu sem atritos nem atropelos dos direitos humanos, terá que existir uma concertação entre os cidadãos fora do circuito politico, económico ou religioso. Não só estas áreas comuns na sociedade europeia têm interesses que sobrepõem ao humanismo, como também, já tiveram mais do que tempo para aplicar algo e nunca o conseguiram verdadeiramente.

É muito importante o cidadão tomar o seu lugar na definição do futuro da europa, apesar de cansado desta luta diária (como refere o início do excerto do texto), quase sem forças para reagir às adversidades que se apresentam, também é fulcral que a vida que nós vivemos valha a pena, que temos que nos esforçar o suficiente para alterar o rumo dos acontecimentos. Para usufruirmos na sua plenitude o ideal europeu. Temos que evoluir para um estado supranacional onde saibamos exatamente determinar até onde podemos ir com a nossa liberdade individual ou coletiva e onde está esse fim, assim como temos de saber e respeitar onde começa a liberdade dos outros (individuais e coletivas).

Não podemos deixar estas deicsões simplesmente para os politicos, economistas ou religiosos, porque já se viu quais foram os resultados até hoje. O poder de decisão tem extravasar os circulos normais, porque até à data outros métodos não deram resultado. Talvez tentando uma abordagem diferente, com o apoio dos grandes intelectuais de cada país, se consiga arranjar uma solução que permitirá almejar o sonho europeu.

Este ideal europeu talvez se conseguisse com 3 níveis interligados. Num primeiro nível alguém intelectualmente honesto a pensar o futuro do nosso continente, integrando todas as opiniões dos diversos países. Num segundo nível um conjunto de cidadãos habilitados pelos intelectuais que desenham as linhas com que irão cozer as linhas mestras do futuro europeu. Ajudam a espalhar os ideiais e a consolidar essas alterações nos espaços governamentais. Por fim, sim, no último nível, eram chamados à intervenção os poderes judicial, administrativo e financeiro para assegurar a aplicação das alterações e nada mais.

Ou seja, a europa, no meu ponto de vista, tem um futuro brilhante, se a ordem atual for invertida e se possa efetivamente legislar em favor do ser humano. Atualmente, na sociedade capitalista, não há espaço de manobra para os cidadãos, os seus desejos estão sempre depois dos interesses politico, económico ou religioso.

Para chegar a uma europa ideal, deverá ter o contributo do profissional de relações públicas, e o seu trabalho constante de comunicar sem posições pre-formatadas e esclarecer sobre a desinformação existente, a propaganda, a publicidade enganosa.

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Só é possível transmitir assertivamente o humanismo através de pessoas, existem menos filtros e direções pre-definidos no individuo que não pertence a um organismo (governamental, financeiro ou ordem religiosa). O cidadão tem que merecer tal desiderato, trabalhar para lá chegar e não ficar à espera que o façam por si.

O cidadão europeu tem que se rodear de outros, de outras pátrias, mas com o mesmo objetivo e trabalhar em conjunto para atingir esse bem estar mútuo.

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